A Conferência dos Capuchinhos do Brasil

Os Capuchinhos no Brasil, nos séculos anteriores, têm uma longa passagem histórica pelo Brasil. São épocas de grande significado: Missão dos Capuchinhos franceses de Paris (1612-1615); Missão dos Capuchinhos franceses da Bretanha (1650-1701); Missão Apostólica dos Capuchinhos italianos (1720-1829) Missão Oficial dos Capuchinhos italianos (1840-1897).

As duas últimas, e especialmente a última, vêm obrigatoriamente citadas na história das nossas atuais Circunscrições. Não há nenhum Estado em que, em alguma dessas épocas, não tenha havido presença capuchinha . A Missão de 1840 tornou-se uma entidade nacional com a criação do Comissariado Geral em 18-09-1846, à medida que o permitiam as limitações e precariedade da época. Congregava as três Prefeituras Apostólicas: Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, sede do Comissariado. Floresceram as sedes, com os Hospícios da Penha, da Piedade e do Castelo.

Na missão de substituir os jesuítas , expulsos do País, os capuchinhos assumiram a catequese indígena, como missionários apostólicos com faculdades especiais, fundando e dirigindo aldeamentos, substituindo vigários, percorrendo os lugares mais longínquos como pregadores ambulantes, construindo capelas, hospitais e cemitérios. Inúmeras cidades e vilas de hoje tiveram sua origem nestes aldeamentos.

A partir de 1897 as Missões foram entregues a diversas Províncias da Ordem. Daí surgirem no século XX as Missões Regulares, que, em 30-04-1937 se tornaram Custódias, formando uma "entidade jurídica" como pedia o decreto da Cúria Geral. Em 1970 as Custodias restantes foram constituídas em Vice-Províncias, com direito a capítulo próprio, e começaram a preparar-se para Províncias.

Ao ser fundada, em 1965, a Conferência dos Capuchinhos do Brasil abrangia 2 Províncias (Rio Grande do Sul e São Paulo), um Comissariado (Paraná-Santa Catarina) e sete Custódias. Hoje, congrega 10 províncias, 1 vice-província e uma custódia (que no final deste ano será vice-província). As Circunscrições formam entidades que, por sua vez, também congregam Fraternidades. Daí, uma Conferência de Religiosos lembrar, em si, uma conferência de conferências.Uma Província tem suas fraternidades locais com cores, próprias e comuns, formando uma Fraternidade Provincial com identidade particular e caraterística própria assimilada de suas fraternidades locais. Sendo assim, para se viver a realidade da Conferência é necessário ir descobrindo características específicas e gerais das circunscrições que a identifiquem, como resultado da assimilação das diversas maneiras de vida nas regiões. Por sua vez, a Conferência é também parte de uma super-Conferência, que, no caso da CCB, é a Ordem Capuchinha. Por isso, a Conferência é o elo mais adequado do relacionamento da Região com a Ordem.

De fato, o estatuto da CCB coloca como seu objetivo primário, promover o bem comum da Ordem no País... estudar as questões comuns dos Capuchinhos procurando dar-lhes quanto possível, solução uniforme em todo o território nacional....


É certo que, neste trabalho de criar uma entidade comum, os fatores externos são detectados em primeiro lugar: a mesma língua e linguagem, mesma nacionalidade de natividade ou de adoção, mesma formação, mesmas constituições... mas o que mais conta é o espírito franciscano-capuchinho na história presente da Ordem nos tempos e lugares diferentes e seu passado de mais de quatro séculos.

Aproximando-se dos 40 anos, a CCB vem desde o início cultivando um pensar comum, um focalizar problemas com solidariedade humana e espiritual, contribuindo para a criação de uma entidade maior, cada vez mais estimada e benfazeja.


Nota-se, em respeito à CCB, um crescimento contínuo como uma grande Fraternidade de circunscrições que se dão as mãos e o coração. Já na sua origem, as circunscrições maiores ampararam-lhe os primeiros passos, publicando boletins e duas volumosas revistas. Foi fabulosa a cooperação de todos na sua crise financeira após a falência do projeto de uma Sede. Algumas pequenas circunscrições tiveram problemas institucionais com crises pessoais e de relacionamento, o que foi resolvido com intervenção fraterna das Circunscrições mais experientes.


Hoje estamos empenhados em ouvir a voz do Ministro Geral pedindo ajuda dos Capuchinhos brasileiros para colaboração com outras regiões, missões e circunscrições. Vários frades têm partido para outros países em nome da Conferência. Há mais tempo, vêm os seus frades da CCB assumindo serviços na Cúria Geral, no Colégio Internacional São Lourenço em Roma, em San Giovanni Rotondo, na América do Norte e em outros continentes. Além disso, as Circunscrições têm recebido frades como membros da própria Fraternidade para cursos e estágios.


Resta continuar o bom trabalho pelas vocações para que a identidade que o esforço de irmãos vem ajudando a se manter com o conhecimento, amor e prática das valiosas tradições da Ordem, se enriqueça e se robusteça intensamente pelo trabalho em comum em nossa Conferência.


Novas forças vão chegando para lidar com as novas fórmulas e levar franciscanamente adiante o ideal religioso Capuchinho. Que, com a graça de Deus, possamos receber sempre, com maior justiça, a famosa expressão sobre os primeiros cristãos Vede, como se amam!

Frei Serafim José Pereira - OFMCap

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